Águas de Oxalá - Araras (SP)

 

A narrativa do mito das “Águas de Oxalá” inicia-se com Oxalá decidindo fazer uma visita a Xangô (a divindade dos raios e dos trovões)

 

Como era de costume na terra dos orixás, Oxalá consultou um Bàbálawo para saber como seria a viagem. Este recomendou que a viagem não se realizasse, mas Oxalá já havia decidido deslocar-se para Òyó, então o babalawo lhe disse: leve três mudas de roupas brancas, pois Exú irá dificultar seus caminhos. Também aconselhou-o a levar consigo três panos brancos, limo-da-costa e sabão-da-costa, assim como a aceitar e fazer tudo que lhe pedissem no caminho e não reclamar de nada, acontecesse o que acontecesse. Seria uma forma de não perder a vida!

 

Com estas precauções o orixá pôs-se a caminhar com seu cajado em direção a Òyó. Caminhando pela mata encontrou Exú tentando levantar um tonel de Dendê as costa e pediu-lhe ajuda, Oxalá prontamente lhe ajudou mas Exú, propositalmente derramou o dendê sobre Oxalá e saiu. Oxalá banhou-se no rio, trocou de roupa e continuou sua jornada. Mas adiante encontrou-se novamente com Exú, que desta vez tentava erguer um saco de carvão a costas e pediu a Oxalá que lhe auxiliasse, novamente Oxalá lhe ajudou e Exú repetiu o feito derramando o carvão sobre Oxalá, banhando-se no rio e trocando de roupa, Oxalá prosseguiu sua jornada a Oyó, próximo já a Oyó, encontrou com Exú novamente tentado erguer um tonel de melado e a estória se repetiu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao aproximar-se de Òyó, avistou o cavalo branco um cavalo fugitivo dos estábulos de Xangô e resolveu devolve-lo ao dono. Antes de chegar a cidade, foi abordado pelos guardas que o mal interpretaram e julgaram-no ladrão do animal. Agrediram-no violentamente deixando seus braços e pernas quebrados. Oxalá foi levado à prisão do palácio e lá esquecido por sete anos.

 

Durante este tempo, o reino de Xangô é assolado por pestes e infortúnios: entra em decadência, sofrendo a pior seca, que compromete, então, toda a colheita. Epidemias, doenças e mortes se sucederam com freqüência, fazendo com que o povo se revolte com Xangô. Sem outra solução, ele vai procurar um Bàbálawo da região, que faz o jogo e lhe diz: “Um homem que usa roupa branca foi preso injustamente. O que está acontecendo é uma revolta natural pela injustiça cometida. A vida está aprisionada em seus calabouços, como um velho que sofre injustamente como prisioneiro, pagando por um crime que não cometera”.

 

Com essa resposta, Xangô foi até a prisão e lá encontrou Oxalá todo sujo e mal tratado. Imediatamente o levou ao palácio e lá chamou todos os Orixás onde cada um carregava um pote com água da mina. Um a um os Orixás iam derrubando suas águas em Oxalá para lavá-lo. O rei de Oyó mandou seus súditos vestirem-se de branco. E que todos permanecessem em silêncio, pois era preciso, respeitosamente, pedir perdão a Oxalá. Xangô(Oração) vestiu-se também de branco e nas suas costas carregou o velho rei e o levou para as festas em sua homenagem e todo o povo saudava Oxaláufã e Xangô.

 

Depois do mal entendido desfeito, a chuva chegou, as culturas de alimentos prosperou e as enfermidades cessaram, enfim, todas as coisas do reino de Xangô voltaram à normalidade. A cerimônia das “Águas de Oxalá” rememora este episódio mítico com uma procissão representando a viagem de Oxalá. Trata-se de um cerimonial complexo que se estende por 17 dias e constitui um marco nas práticas e nos rituais que se sucedem no decorrer do ano litúrgico do candomblé.

 

Fonte: BENISTE, José. Ás águas de Oxalá: àwon omi Òsàlá e site www.juntosnocandomble.com.br

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Andrea Goldschmidt Fotografia

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