Maracatu Rural - Nazaré da Mata (PE)

 

Maracatu é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira. Como a maioria das manifestações populares do Brasil, é uma mistura das culturas indígena, africana e europeia. Tem seu contexto de origem nos engenhos de cana de açucar, onde os brincantes vivam e trabalhavam. No final do século XIX, com a promulgação da lei Áurea, a mão de obra escrava é substituida pelo trabalho livre, mas isso não deu aos negros condições de ascenção social. Os trabalhadores canavieiros nesta época se reuniam nos períodos de folga para brincar e festejar os finais de semana depois de dias árduos de trabalho. Iam improvisando ritmos com os instrumentos de trabalho de que dispunham.

 

O termo maracatu tem origem incerta, mas especula-se que seja uma variação linguística do norte de Angola onde maracatuca significa "vamos debandar", termo utilizado pelos escravos no momento em que suas manifestações eram reprimidas pelas forças oficiais. Outra possibilidade é que o termo venha da junção do maracá (instrumento indígena) com catu (bonito).

 

Os maracatus mais antigos do Carnaval de Pernambuco nasceram da tradição do Rei do Congo. A notícia mais remota conhecida sobre a instituição da festa data de 1711, em Olinda, e fala de uma instituição que compreendia teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei Congo.

 

 

Atualmente, o folguedo é ligado ao período carnavalesco, quando os canavieiros se enchem de alegria e se tornam poderosos "guerreiros". O Maracatu Rural significa para seus integrantes algo a mais que uma brincadeira: é uma herança secular, motivo de muito orgulho e admiração. É formado por pessoas simples, principalmente por trabalhadores rurais que também bordam golas de caboclo, cortam fantasias, enfeitam guiadas, relhos e chapéus.

 

Existe uma forte ligação entre o Maracatu e a religião. Durante a apresentação, existe o participante que sustenta espiritualmente o Maracatu Rural. Antes das suas apresentações públicas é vivenciada, internamente, uma experiência religiosa, um contato de alguns integrantes com o mundo sagrado, em que as entidades protetoras são invocadas, em rituais de proteção, contra os “espíritos malfeitores”, para que propiciem sucesso aos participantes e tranqüilidade em suas andanças e apresentações. Os personagens que necessitam de proteção são: o Caboclo de Lança, a Dama-do-Paço com a Calunga e o Arreimá também chamado de Tuxáua ou Caboclo de Pena. 

 

Em alguns grupos, meses antes da sua apresentação, se iniciam os trabalhos litúrgicos de preparação, limpeza e proteção para o Carnaval. Esses rituais, embora não sejam praticados por todos integrantes, têm uma forte significação simbólica para boa parte dos seus membros. Mesmos os que não são adeptos, crêem que, sem as oferendas, dificilmente teriam tanto sucesso. Para garantir que no próximo ano tenham o mesmo desempenho dos últimos anos, são feitas “negociações” com o sagrado, a fim de que os “espíritos ruins” não possam atrapalhá-los. Portanto, na visão mítico-simbólica de alguns integrantes, é necessário “fechar o corpo” de maneira que, protegidos, possam ser mais uma vez campeões do desfile das agremiações. Para isso não basta que individualmente os Maracatuzeiros pratiquem suas obrigações, é preciso que o grupo tenha fé nos trabalhos espirituais desenvolvidos pela rainha, que se iniciam já semanas antes do desfile. São feitas oferendas para o “Homem da Rua” (Exu) e para as “moças” (Pomba-gira), dessa forma, satisfeitos com comidas apimentadas, aguardente, fumo etc, tudo de acordo com um cardápio ritual previamente estabelecido, não incomodarão o Maracatu durante as suas apresentações.

 

O grupo de Maracatu é formado por uma percussão que acompanha um cortejo real composto por algumas figuras "fixas" como as baianas, os cabloclos de lança, os caboclos de pena, a corte real e a orquestra. Cada membro, a partir do momento em que desfila pela primeira vez, tem que repetir a sua apresentação, obrigatoriamente, por, no mínimo, sete anos. Inclusive os objetos, quase sempre são em números impares, para não dar azar.

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Andrea Goldschmidt Fotografia

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